Blog da Elis - Tradutor Técnico
Eu estava lá no blog da Elis estes dias e gostei muito do que ela escreveu por isso estou reproduzindo aqui:
Senta que eu vou contar...
Seu Zampieri, como era conhecido na vila em que morávamos, registrou, casou e lavrou certidão de óbito de boa parte dos dois mil habitantes que lá moravam. Fazia um bico como escrivão, já que seu amor maior era pela terra. Não se importava quando lhe pediam um fiado, fingia acreditar que amanhã eles voltariam com o dinheiro, nunca mais voltavam... seu coração mole deixava por isso, uma caridade aos menos afortunados.
Por causa desse ofício e pelo trabalho como entendente distrital, sempre me levava junto nos casórios no interior e na distribuição de vacinas na época de campanha. Me pegava pela mão e lá íamos nós. Eu ajudava, ele dizia que era sua secretária. Fotos, tenho poucas. Apenas as que tirávamos por ocasião dos casamentos, aproveitando o fotógrafo que só era visto por aquelas bandas em dias de festa.
Lembro-me das tardes chuvosas, em que ele não podia ir para a lida do campo e deitávamos eu e ele, eu pedia que me contasse uma história e ele inventava. Algumas eram tristes, acho que eram suas próprias histórias de vida, outras ele devia mudar o desfecho para terem um final mais feliz.
Meu pai não foi ninguém, mas construiu um império diante do pouco que sempre teve. Homem de visão, não perdia dinheiro nos negócios.
Gostava de jogar cartas no boteco da esquina, minha mãe me fazia ir chamá-lo quando envolvido com o jogo, esquecia-se que tinha casa pra voltar. Eu ia e ele me dava um doce, daqueles que vinha uma goma grudada num garfinho de plástico. E voltávamos de mãos dadas pela rua escura iluminada apenas pelo poste e pelas estrelas.
As vezes, quando se demorava minha mãe dizia que se o chamássemos debaixo da mesa, ele chegava rápido, não sabia o sentido daquilo, não sei até hoje, mas íamos, eu e meu irmão, e ficávamos gritando chamando por ele debaixo da mesa.
Homem severo, me educou com a rigidêz de um oficial, implacável, silêncios indecifráveis...Minha mãe sofria, eu também.
Meu pai falava com os olhos. Seus olhos me davam conselhos, reprovavam meu decote, me educavam em silêncio.
Ironia...hoje seus olhos pouco falam, tomados que foram por uma retinopatia diabética que covardemente roubara boa parte de sua visão.
Meu pai não aprendera dar carinho, ninguém dá o que nunca teve... era tão vítima quanto eu e minha mãe. Mas fazia isso do seu jeito e eu compreendia...
Quando sentada na mesa da cozinha eu fazia as tarefas da escola, ele chegava, batia de leve minha cabeça na mesa e dizia: " Cheirando a mesa é?" Nesse ato eu ouvia, embora não pronunciado por sua sua boca, ele dizendo que me amava.
À noite, quando a gente cansava de assistir um programa em que só passavam umas listras horizontais pra cima e pra baixo na TV a gente ia dormir escutando Zé Betio... "Fala Zé! Falo, falo sim!"
Sua benção pai... Desus te abençoe filha! E a gente dormia feliz...
Um dia, debaixo de uma tempestade ele terminava de guardar uma safra recém trazida da lavoura, quando armou-se um temporal, o vento forte ameaçava derrubar a velha casa da fazenda. Não me lembro ao certo por quê, mas ele tirou- me pela janela, debaixo de uma chuva torrencial, deixando em minha camiseta branca as marcas de suas mãos embarradas.
Estas saíram depois de lavadas, mas algumas permanecem, gravadas na memória e no coração, e estas... estas não saem jamais.
Lembro-me de uma canção da época que dizia mais ou menos assim: " Pra não judiar meu sentimento proibi meu pensamento de ficar campeando saudade"... É isso, devo parar por aqui.
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além de medicina também atuo nas áreas de eletrônica, eletricidade, engenharia, etc
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